Meses atrás, passei em frente a uma pizzaria no bairro onde moro e encontrei um amigo que não via há 15 anos. Não o encontrei sentado à mesa fazendo talheres "tilintar" nos pratos jogando conversa fora com amigos ou afagando uma namorada. Estava sentado n'uma poltrona plástica do lado de fora do estabelecimento trabalhando como segurança. De primeira, não o reconhecí porque o local estava um pouco às escuras e nem tampouco havia motivos para encara-lo. Ele me reconheceu. Veio até a mim com a mesma calorosidade de anos atrás. Era um naipe de uma vasta carta de amigos que conquistei ao longo dos anos no local onde passava a maior parte das férias. Percebi de imediato que estava atento aos inúmeros rostos que por alí transitavam, cumprindo a tarefa que lhe fora designada. Fatalmente percebendo qualquer atitude suspeita dos inexpressivos (aos olhos leigos), passantes bons ou maus. Era inevitável um distração de 10 minutos de diálogo, depois de muitos anos sem ter qualquer notícia. Era um dos amigos que menos tinha recursos mas, estava presente em todas as nossas farras. Ninguém lhe cobrava 1 centavos que fosse. Um verdadeiro "porra-louca" - mas, tinha um carisma e humor singular. Quem era de fora, não entendia nossas brincadeiras e ficavam chocados com o seu infâme linguajar. De vez em quando, perguntava a um de nós: "... só queria saber, quando vocês irão até em casa comer a minha mãe!" Colocava-mos nossas cabeludas respostas no mesmo patamar. Sua convicta pergunta fazia arregalar os olhos de quem chegava com um certo pavor! Diversão com os novatos era pouca, tamanha a escabrosidade da fantasiosa proposta!
Essa figura não se acanhava em se aproveitar de uma ínfima distração nossa, quando nos aproximávamos do cais. Atirava fosse quem fosse, não se importando o que leváva-mos nos bolsos ou, muito menos de como estávamos vestidos.
Usávamos nossas melhores roupas para que, em alguma eventualidade pudéssemos impressionar algumas belas garotas que transitavam incansavelmente pelas ruas daquele lugar. Muitas das vezes davam-nos bem e, todos se empenhavam para arranjar-lhes uma pretendente. Infelizmente, na maioria das vezes isso não ocorria.
Reencontrei-o hoje. Tajara (o nome é real), ainda trabalhava no mesmo local. Fora afastado por um longo tempo por culpa de um triste fato: Abordado por assaltantes em seu serviço, reagiu às investidas e fora vitimado com quatro tiros (uma bala alojou-se na altura do intestino, a outra no abdômen e as outras duas na costela esquerda)Enquanto me contava, não podia evitar em demonstrar meu estarrecimento. Continuava vivo por obra de um milagre. A morte preparou-lhe o bote, mas não foi fatal. Mesmo com tudo cicatrizado, é no mínimo chocante perceber claramente esses rastros de sofrimento por culpa dos velhos "blás, blás, blás" sociais. Depois de alguns minutos de agonia por relatar suas mazelas, respirei aliviado por ter meu amigo firme e forte como antes. Alí estava Tajara: Mantendo a mesma linha temperamental de seu "carregado" estado de bom humor.
Não somente a realidade nos traz a experiência e sim a imaginação. Sonhar, é o que torna viável o impossível. Nada tem a ver com o verbo planejar - que é algo realizável. Transportar seu espírito pelo inimaginável é influenciar o ego. Dá uma distorcida sensação de poder de reflexão - ainda que não se encaixe de forma ética. Subjetivamente, sua prática é o que inibe todo ato de intolerância.
Quem sou eu
- Márcio Sousa
- Previsível, negligenciado e avesso às mudanças. Observador das atitudes alheias e o espelho dos feitos dela. Não raramente tédio é a minha odiosa companheira: Inseparável, insuperável e surpreendente. O sol escaldante que evapora o ego e que aviva a solidão e, que em raros casos, preconiza-nos até o seu último estágio: a morte. Também impregnado pelas vicissitudes em grau máximo. O alvo dos vulgares atos de indiferença e substimação - mas, resignado pela compreensão dessa fútil natureza.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Expiando o Cartesianismo
Nesse corpo "espiritado" em que me albergo - agindo sob as menos convencionais manobras filosóficas em que a cornolândia bahiana possa me inspirar - em continuar a viver num tempo em que pertence ninguém menos senão aos fortes, leva-me a uma frenética corrida de transformação e desenvolvimento para novos hábitos que se tornam tão necessários quanto a importância em me transportar e reinventar, por culpa das oscilações. A favor ou não da minha vontade, que por muitas vezes me contraria por culpa das obrigações. No meu entender, não são obrigações - e, sim, provações. Drena minhas inspirações, atrofia meu espírito e, inevitavelmente azeda o meu humor. Assusto-me quando paro pra pensar muito sobre o tempo e a tamanha indiferença com que trata as coisas mais graves que possam existir na face a Terra. Nada perdoando e tornando necessária uma transmutação,fazendo aflorar novas obrigações comigo mesmo. Compulsoriamente, tive que trancar uma porta que estranhamente me alienava ao invés de me libertar. Abdiquei da convivência do meu filho mais novo em prol da liberdade e do cessamento de intermináveis injúrias. Faz sentido e, mais do que nunca é coerente viver de agora em diante para aprender e cultivar coisas relevantes sempre sob o teto da cumplicidade da minha razão.
Depois de tantos esclarecimentos que há hoje em dia, em que, os inúmeros estudos sobre socialização e o comportamento humano são transportados de maneiras tão claras, é de abismar que ainda existam pessoas que jogam fora metade de suas vidas reclamando e indagando sobre os eternos erros alheios, desde quando uma boa parte das vezes são incapazes em esquivar-se dos próprios infortúnios morais.
Venera-se o desperdício. Eu abomino essa palavra! Há o desperdício do amor quanto se mente e quando se trai! Há uma dor lacerante na mentira porque ela choca-se com uma das coisas que o ser humano tem de mais relevante e o que mais no aproxima de algo tão rico dado por Deus e por ele oferecido por tão pouco: A dignidade.
É necessário pô-la em prática quando se quer o estreitamento social. É, literalmente, uma fonte de energia que nos dá força para suportar o sufocante convívio com o nosso semelhante. Observem como é muito mais fácil conquistar um amparo por aqueles que nos enxerga com respeito. Ninguém no seu amplo e bom juízo quer perder a a oportunidade em regar uma amizade por uma alma digna. Nossas almas são desprovidas de tudo quando nascemos. Somos ignorantes. Ninguém nos cobra nem mesmo um olhar. Contudo, o tempo não é generoso para que possamos nos lapidar com o passar dos anos? Por inúmeras vezes erramos e por incessante vezes ganhamos o perdão. Mas tudo ganha-se um "basta" quando a dignidade não foi amadurecida. Perde a graça e a esperança por aqueles que nos deram a oportunidade. Esse, por certo, é o mais íngreme de todos os desperdícios!
Depois de tantos esclarecimentos que há hoje em dia, em que, os inúmeros estudos sobre socialização e o comportamento humano são transportados de maneiras tão claras, é de abismar que ainda existam pessoas que jogam fora metade de suas vidas reclamando e indagando sobre os eternos erros alheios, desde quando uma boa parte das vezes são incapazes em esquivar-se dos próprios infortúnios morais.
Venera-se o desperdício. Eu abomino essa palavra! Há o desperdício do amor quanto se mente e quando se trai! Há uma dor lacerante na mentira porque ela choca-se com uma das coisas que o ser humano tem de mais relevante e o que mais no aproxima de algo tão rico dado por Deus e por ele oferecido por tão pouco: A dignidade.
É necessário pô-la em prática quando se quer o estreitamento social. É, literalmente, uma fonte de energia que nos dá força para suportar o sufocante convívio com o nosso semelhante. Observem como é muito mais fácil conquistar um amparo por aqueles que nos enxerga com respeito. Ninguém no seu amplo e bom juízo quer perder a a oportunidade em regar uma amizade por uma alma digna. Nossas almas são desprovidas de tudo quando nascemos. Somos ignorantes. Ninguém nos cobra nem mesmo um olhar. Contudo, o tempo não é generoso para que possamos nos lapidar com o passar dos anos? Por inúmeras vezes erramos e por incessante vezes ganhamos o perdão. Mas tudo ganha-se um "basta" quando a dignidade não foi amadurecida. Perde a graça e a esperança por aqueles que nos deram a oportunidade. Esse, por certo, é o mais íngreme de todos os desperdícios!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
VERÃO: INÍCIO DOS ANOS 90
Na virada de um ano qualquer, entre a madrugada e a fina e persistente chuva, entre as folhas secas, embriaguês, decepção e fúria. Sentado sobre a raíz de uma árvore, na espera do amanhecer. Nunca ví uma noite tão longa. Nunca ví tantas declarações distorcidas, nunca, nesse ano, pude ter tantos amigos reunidos n'um só lugar. Nunca o sol brilhou tanto nesse verão. Expectativas e expectativas se amontoavam, se gladiavam, queriam um espaço por estar sempre a espreita para possíveis realizações. Sonhos são sonhos. Entre o sonho e a realidade está o homem. De um lado a natureza utópica. Atravessando barreiras. Não respeitando regras e tampouco as limitações que nos tornam zelosos para todo e qualquer feito. Feito esse que, a vida toda fora a minha coluna para suportar a realidade. O meu eterno estado de espírito. O portal para as conquistas que não puderam se realizar. O tempo que ficou para trás - mas que, "ele" (o sonho), pode traze-lo de volta. Lembranças e pessoas desagradáveis também se amontoam. O que guarda e o que oferece a natureza humana. A difícil assimilação do convívio, da compreensão e de toda racionalidade na forma de pensar e agir. Por que todos fazem o contrário? Anacronismo de caráter? Foi a natureza humana que me colocou nas primeiras linhas desse texto. Por culpa de uma fé que alimentei por 3 anos. A falta de objetividade que me deixei levar, pensando que os bons eram demasiadamente bons e o conto piegas de que, as páginas de nossas vidas estão em branco. Quem escreve? O destino.
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